Após discursos, clima entre Poderes mantém incerteza entre investidores

Os discursos do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, sobre os atos de7 de Setembro, mexeram com o mercado nesta quarta-feira (8).

Durante a fala de Fux, o Ibovespa acentuou a queda, que estava em 2,7%, para 3%, e o dólar, que avançava 2%, passou a subir 2,22%. Apesar de esperado, o tom mais duro do presidente doo STF mantém o clima de tensão entre os Poderes e, consequentemente, de incerteza entre investidores.

Em resposta aos ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à Corte durante as manifestações, Fux disse que o Supremo não vai tolerar ameaças à autoridade de suas decisões e acrescentou que “o desprezo às decisões judiciais, além de representar atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional“.

Já o pronunciamento de Lira — cuja pressão sobre um posicionamento crescia desde ontem, já que é do parlamentar uma eventual decisão sobre aceitar pedido de impeachment contra Bolsonaro —, teve um tom mais brando, o que acalmou momentaneamente os mercados, na avaliação de agentes ouvidos pela CNN.

Apesar de manter uma postura crítica a qualquer eventual ruptura institucional entre Poderes, Lira deixou claro que, no momento, não pretende dar espaço ao impedimento do presidente. Outro ponto que deve ser ressaltado no discurso do presidente da Câmara, segundo Tatiana Pinheiro, economista-chefe e sócia da Panamby Capital, foi quando ele disse que “temos um encontro marcado em outubro de 2022”.

“Ele sinaliza nesse momento que a eleição presidencial vai ocorrer normalmente, um ponto que preocupava o mercado nesta manhã”, diz Tatiana. Vale lembrar que é interessante para Lira manter um clima amistoso com o governo, de olho numa parcela do orçamento.

Essa relação é cara tanto aos partidos como aos deputados, que querem atender seus redutos eleitorais, ainda mais diante da proximidade das eleições do ano que vem.

Tensão com as reformas

Ainda que o discurso de Lira tenha afastado o risco de impeachment, o mercado segue preocupado com o andamento das reformas.  No Senado, o clima de tensão com os desdobramentos das manifestações fizeram o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, cancelar as sessões marcadas para esta semana.

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), disse nesta quarta-feira em entrevista à CNN que “não tem mais agenda legislativa neste ano”. Nesse cenário, o mercado fica com a percepção que a reforma administrativa não vai caminhar, a do Imposto de Renda também não, e duas questões importantes seguem sem resposta: precatórios e Bolsa Família.

A solução para esses dois pontos ainda não está decidida pelos agentes políticos, o que torna uma incógnita o risco fiscal, de deterioração das contas públicas e, por consequência, do apetite do investidor.

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