Partidos de centro se unem contra reforma tributária, enquanto articulam candidatura única para 2022

Representantes de oito partidos de centro, que já haviam se reunido em 16 de junho para discutir uma candidatura alternativa a Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, voltaram a se encontrar nesta quarta-feira em Brasília. Enquanto discutem um nome que o represente nas eleições de 2022, o grupo começa a colocar em marcha uma atuação coordenada na oposição a Bolsonaro já neste mês.

No encontro, ficou decidido que os partidos iriam elaborar um documento conjunto contra o aumento de impostos e a proposta de reforma tributária feita pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Esse movimento seria um primeiro passo para a construção de uma pauta conjunta. Nota assinada pelos presidentes do partido afirma que o objetivo é que essa pauta “represente um melhor caminho para o Brasil, diferente dos extremos”.

“Esses partidos trabalharão unidos com o objetivo de impedir o aumento de tributos para o povo brasileiro, prejudicando pequenas empresas e a geração de empregos, principalmente neste momento ainda delicado de pandemia”, afirma o texto, que não teve a assinatura do Solidariedade. As siglas se comprometeram a mobilizar suas bancadas no Congresso contra a reforma.

A reunião aconteceu na casa de um advogado do DEM e contou com a presença dos presidente de partidos como ACM Neto (DEM-BA), Bruno Araújo (PSDB-PE) e Baleia Rossi (MDB-SP), Renata Abreu (Podemos-SP) e Roberto Freire (Cidadania-SP). Havia ainda líderes de Solidariedade, PV e Novo —  o partido não havia participado do almoço do dia 16.

Naquele primeiro encontro, os líderes partidários saíram da reunião afirmando ter chegado ao consenso que não apoiariam nem Bolsonaro nem Lula no ano que vem.

— O número de brasileiros que se posiciona hoje para uma nova alternativa é maior que o apoio a Lula ou Bolsonaro. Mas é uma maioria silenciosa, que não faz motociata nem manifestação. É para esses brasileiros que queremos falar — disse Bruno Araújo, presidente do PSDB, na ocasião.

Em outra frente, o grupo também trabalha para atrair o apoio do PSL, sigla que elegeu Bolsonaro ao Planalto e que o presidente tenta atrair para o seu arco de alianças à reeleição. Na semana passada, o presidente do PSL, Luciano Bivar, se reuniu com Baleia Rossi, em São Paulo. Na ocasião, ficou acertada a migração do MDB para o PSL do apresentador José Luiz Datena.

Baleia tem dito a interlocutores que quer o PSL nas conversas com os partidos de centro. Já Datena vai avaliar o cenário ao Planalto, se aparecer “bem posicionado” nas pesquisas de intenção de voto até fevereiro de 2022. Caso contrário, cogita uma vaga no parlamento ou até mesmo disputar o governo de São Paulo.

O PSL é o sexto partido a que Datena se filia desde 1992, quando chegou a integrar os quadros do PT.

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