Brasil perde cerca de 119 mil empregos com saída da Ford, aponta Dieese

Além da perda de empregos diretos e indiretos, processo de desindustrialização diminui arrecadação e tecnologia

O fechamento das três unidades da Ford no Brasil — na Bahia, no Ceará e em São Paulo — trará perdas bilionárias tanto ao país, como aos trabalhadores e às trabalhadoras da montadora norte-americana, avalia o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A Ford anunciou que manterá apenas a sede administrativa da América do Sul no Brasil, o Centro de Desenvolvimento de Produto e o Campo de Provas.

De acordo com a análise do órgão, considerando as 5 mil demissões na Ford, haverá uma perda potencial de 118.864 mil postos de trabalho diretos e indiretos, com uma perda de massa salarial de R$ 2,5 bilhões aos trabalhadores. Já a queda de arrecadação de tributos e contribuições ficará na ordem de R$ 3 bilhões ao ano.

Atualmente a Ford possui 4.604 mil trabalhadores diretos na unidade de Camaçari, 830 na unidade de Taubaté (SP) e 470 trabalhadores da fábrica dos jipes Troller em Horizonte (CE). O número total de trabalhadores diretos é de 6.171, sendo que 5 mil serão demitidos. 

Contrariando o discurso de Jair Bolsonaro (sem partido), que “denunciou ” que a Ford queria incentivos fiscais para permanecer no país, estudo do Dieese aponta que, a cada R$ 1,00 gasto na indústria automobilística, é acrescido R$ 1,40 no ‘valor adicionado’ da economia.

Fim de uma era

O encerramento da produção imediatamente em Camaçari  (BA) e Taubaté (SP), além do encerramento das atividades da unidade de Horizonte (CE) no quatro trimestre  de 2021, representa o fim de uma era na indústria automobilística no país. Nas duas primeiras unidades, será mantida apenas a fabricação de peças por alguns meses para garantir disponibilidade dos estoques de pós-venda. As vendas dos automóveis da marca Ford no Brasil (EcoSport, Ka e T4) será encerrada assim que terminar os estoques.

A Ford foi a primeira indústria automobilística a ter operações no Brasil, em 1919. Em 1921 inaugura sua primeira fábrica no bairro do Bom Retiro, na capital de São Paulo.

Em 1980, a empresa era a maior empregadora entre as montadoras, com 21.800 trabalhadores e uma produção nacional de 165.500 unidades/anos. Em 1990 somou 17.578 trabalhadores, e em 1999, 9.153.

Em 2020, a empresa licenciou 139.897 veículos, sendo 119.454 automóveis; 19.864 comerciais leves e 579 caminhões, o que representou 6,8% do total de veículos licenciados no Brasil no ano passado. Deste total, 84% foram produzidos no Brasil (consultoria Bright). Em 1998, a Ford detinha 7,9% da produção nacional.

Empregos

O setor automotivo chegou a ter 159.648 trabalhadores diretamente vinculados às montadoras, sendo 137.775 na produção de autoveículos e 21.873 em máquinas agrícolas e material rodoviário, em outubro de 2013 (nível mais alto desde janeiro de 1983, conforme informações disponíveis na Anfavea). Em dezembro de 2020 registrou 120.538 trabalhadores diretos (-24,5%), sendo 104.428 na produção de autoveículos e 17.740 na produção de máquinas agrícolas e material rodoviário, ao comparar com o dado de outubro de 2013.

Leia a íntegra da análise do Dieese aqui.

Fonte: Brasil de Fato

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