Em 2020, órgãos do GDF sofreram 1,9 mil ataques cibernéticos por dia Até novembro, a Secretaria de Economia registrou 652.080 tentativas de acesso aos servidores virtuais do governo

O Distrito Federal contabilizou, até novembro de 2020, 652.080 tentativas de acessos “não convencionais” a servidores virtuais do governo local. Apesar do alto número, apenas um ataque durante todo o ano foi capaz de atrapalhar o andamento cibernético dos 96 órgãos públicos do DF.

A expressiva média de 1.976 investidas por dia é menor do que aquela registrada em 2019, quando 1.416.846 tentativas de invasão foram computadas, algo em torno de 3.881 acessos diários.

Os dados são da Subsecretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação (Sutic), da Secretaria de Economia, responsável por gerenciar 2,5 mil servidores virtuais do GDF e mais 400 servidores exclusivos para assuntos fazendários.

Apesar da quantidade de registros, o GDF afirma que não tem como precisar se todos são ataques de hackers. O que a Sutic garante é que pequenos erros, como os de usuário ou senha, não são computados.

Em 5 de novembro, houve a maior tentativa de ataque cibernético aos sistemas do GDF. Hackers identificaram uma fragilidade para invadir a rede governamental, mas não tiveram tempo para concluir a infecção e o sequestro dos dados. A Sutic chegou a encontrar um pedido de resgate que seria disseminado caso houvesse o roubo. É a mesma solicitação enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi alvo de invasão no dia 3 do mesmo mês

Diante dessas investidas diárias, o GDF está aprimorando a segurança de seu sistema. Segundo a Secretaria de Economia, nos últimos dois anos, foram direcionados R$ 20,4 milhões à área. Anualmente, R$ 200 milhões são aplicados em tecnologia da informação (TI).

Para o especialista em segurança pública e privada Leonardo Sant’Anna, o dinheiro investido é importante e dá retorno para a população. “Quanto menos se olha isso, maior a chance de sofrer ataques, a qualidade dos serviços diminui e os prejuízos são cada vez maiores”, comenta.

De acordo com Sant’Anna, os moradores do DF lidam com serviços diários que necessitam de uma base de dados bem organizada e segura, caso contrário seria impossível utilizar os serviços. “Um sistema de reconhecimento facial igual tem nos ônibus, um cartão do metrô que libera a catraca, um carro que é roubado e vão atrás da placa. Tudo isso tem muitos dados que ficariam comprometidos se não houvesse investimento”, explica.

Uma vez que os sistemas se aprimoram cada vez mais rápido, Leonardo lembra que o cuidado deve ser contínuo. “Um novo sistema que surge torna o outro obsoleto e existe a necessidade de troca, acompanhada da segurança”, destaca.

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